working parties

Os Working Parties são grupos de trabalho criados com o objetivo de promover discussões sobre os diversos modos de se pensar e de se trabalhar em psicanálise, como um laboratório ampliado de uma sala de análise. Inspirados no exemplo de WP criado pela Federação Europeia de Psicanálise (EPF), os Working Parties vêm sendo realizados há mais de 15 anos e oferecem uma experiência diferenciada de escuta e de investigação do método psicanalítico, a partir da observação e discussão do grupo.

No Brasil existem cinco métodos distintos de Working Parties. Todos eles serão disponibilizados no XXVI Congresso Brasileiro de Psicanálise:

  • 1) Escuta da escuta
  • 2) Métodos clínicos comparados
  • 3) Microscopia da sessão analítica
  • 4) Modelo dos três níveis (3-LM)
  • 5) Sobre a especificidade do Tratamento Psicanalítico Hoje

O congressista interessado em participar de um WP de seu interesse deve comprometer-se com uma atividade de duração ente 8 e 12 horas, de acordo com o modelo escolhido. Cada grupo possui um ou dois coordenadores e co-coordenadores e trabalha com um material clínico específico.

Para participar de um WP, o congressista deve se inscrever no modelo escolhido e pagar uma taxa de R$ 170,00 Cada WP tem um número máximo de participantes, determinado pelo coordenador.

Os WP são abertos apenas para membros e candidatos da Febrapsi.

Escuta da escuta
coordenação: Cláudio Eizirik (SPPA) e Sérgio Lewkowicz (SPPA)

Criado por Haydée Faimberg (Paris) em 2002, esse modelo, na América Latina, é seguido por alguns coordenadores de WP, entre eles Cláudio Laks Eizirik (SPPA), Sérgio Lewkowicz (SPPA), Osvaldo Luís Barison (SPBSP) e Victória Korin (APA).

Objetivo

Aprender a reconhecer as premissas básicas implícitas do apresentador, e também as nossas próprias suposições a partir das quais estamos escutando o apresentador e a cada um dos demais participantes. Podendo “escutar como cada participante escuta o outro”, vamos detectando os mal-entendidos que muitas vezes impedem o reconhecimento dos pressupostos básicos que cada participante escuta e se baseia para intervir.

Metodologia:

A metodologia foi criada e desenvolvida pela Dra. Haydee Faimberg.

O analista apresenta as sessões divididas em fragmentos. Após a leitura de cada fragmento, abre-se a discussão no grupo. Isso permite que os participantes estejam na mesma posição de “não saber” (não saber as respostas do paciente e a próxima sequência), da mesma forma que o analista (apresentador) se encontrava nesse momento da sessão com seu analisando. A partir do hiato existente entre o que o participante pensou que estava dizendo e a maneira em que foi efetivamente escutado pelo paciente e pelo grupo é que o grupo começa a cocriar uma linguagem comum que possa ao mesmo tempo compreender diferenças.

Propõe-se uma escuta livre de preconceitos, atenta aos efeitos das intervenções do analista no paciente. A análise de diversos materiais clínicos mostra como as respostas do paciente são inesperadas e imprevisíveis.

Os participantes se veem obrigados a deixar em suspenso seus pontos de vista e a tratar os efeitos das intervenções do analista no material e nos demais participantes do grupo.

Sobre o método, diz H. Faimberg, na Revista Brasileira de Psicanálise (vol. 44, n. 3, pp. 33-41, 2010):

Com frequência, o material clínico é escutado a partir de um único pressuposto básico. Em nossos grupos, procuramos não apenas escutar o apresentador e reconhecer os pressupostos básicos com que escuta seu paciente, mas também reconhecer os nossos pressupostos básicos, aqueles com os quais escutamos tal apresentação.

Usamos função de “escuta da escuta”, originalmente proposta (Faimberg, 1981) para a escrita da sessão. Exploramos o impacto produzido pelos pressupostos básicos de cada participante (incluindo os do apresentador), sobre a discussão em si.

Escutamos o hiato entre o que o participante acreditava dizer e como foi efetivamente escutado. Faz-se, assim, possível explorar fontes de mal-entendido, bem como pressupostos básicos de cada um de nós. Cocriar uma linguagem em comum aponta para o entendimento mútuo na discussão, respeitando a alteridade de cada um. O projeto não consiste, portanto, em propor que, como analistas, trabalhemos de maneira similar.

CCM - Método Clínico Comparado (CCM) da América Latina
Coordenação: José Carlos Calich (SPPA); Elizabeth Lima da Rocha Barros (SBPSP)

O grupo de trabalho sobre Métodos Clínicos comparados na América Latina tem como objetivo investigar a situação analítica a partir das construções teóricas individuais do analista na criação de suas intervenções e interpretações, buscando, através do “método dos dois passos”, permitir a comunicação e a comparação destas modelizações entre analistas de diferentes filiações teóricas e origens geográficas. Nossas perguntas centrais são: 1) O que realmente fazemos com nossos pacientes? 2) Como o fazemos? 3) Por que pensamos que o que fazemos funciona?

Nossa atividade divide-se em duas etapas:

1) o Grupo de Trabalho (GT), composto pelos membros permanentes do grupo, com um programa regional de estudo e avaliação dos resultados dos ateliers, de melhoria do método e seus instrumentos, de treinamento de moderadores, reuniões sistemáticas dos coordenadores e desenvolvimento da investigação sobre como trabalhamos com nossos pacientes – “o que fazemos, como o fazemos e porque pensamos que funciona”;

2) os ateliers, que ocorrem em pré-congressos de nível nacional, regional e internacional e também nas Sociedades que oferecem esta experiência clínica a seus membros e convidados.

Dinâmica de funcionamento dos ateliers CCM

Nos ateliers se produz o estudo dos casos clínicos que são a base da investigação e desenvolvimento do método. Com a finalidade de conjecturar sobre a produção de teorias na mente de um colega em situação de trabalho, muito diferente de uma supervisão ou de um trabalho prescritivo de uma determinada maneira de analisar, o método oferece aos participantes uma experiência emocional íntima de compreensão e exame da complexidade do método psicanalítico e da natureza das possíveis divergências e convergências da atividade clínica.

A experiência prolongada de observação, a reflexão sobre o esforço e articulação teórica de um colega e a convivência com diferentes posições sobre o material clínico estimulam os participantes a uma maior capacidade de escuta analítica, de reflexão sobre a forma de pensar a teoria e a técnica, e a uma atitude diferente diante da atividade de supervisão e transmissão da psicanálise.

Utilizam-se duas ou três sessões dialogadas. São investigadas as intervenções de cada analista e suas relações com os diversos componentes da situação analítica e da construção implícita do analista, ou seja, suas teorias de como funciona a transferência e que processos são gerados na troca de pensamentos falados e não falados que paciente e analista oferecem um ao outro (a interação transferência-contratransferência). O método propõe a não utilização de conceitos pré-estabelecidos, mas, em seu lugar, a descrição dos fenômenos intuídos pelo grupo.

Os ateliers na América Latina têm duração de 12 horas (3 períodos consecutivos de 4 horas). Os grupos têm um moderador/coordenador, treinado no método, ocasionalmente um co-coordenador, um apresentador e, idealmente, entre 8 e 16 participantes. O grupo ideal, mais adequado à investigação, é aquele com diversidade em sua formação, filiação teórica e societária. Para as finalidades de investigação, é necessário que tanto o apresentador como a maioria de seus participantes sejam analistas experimentados (é importante que surjam pontos de vista divergentes, para isso, o método psicanalítico deve ser razoavelmente conhecido e introjetado).

Microscopia da Sessão Analítica
Coordenação: Roosevelt M.S. Cassorla (SBPSP, GEPCampinas)

O objetivo do WP é desenvolver a capacidade intuitiva dos participantes e a capacidade de trabalhar criativamente em interação com analistas de culturas diversas e com teorizações explícitas e implícitas próprias. O trabalho visa, também, estimular o pensar sobre fatos clínicos, visando investigação psicanalítica conjunta.

Os participantes do WP se constituem em grupo de trabalho com a finalidade de “sonhar” material clínico, apresentado pelo analista, e pensar sobre ele. Os “sonhos” individuais são tomados como produtos do campo analítico entre paciente e analista. Esses sonhos são transformados pelo campo analítico grupal e estudados dessa forma. Fatos selecionados grupais servem de estímulo para intervenções hipotéticas grupais. Essas intervenções são comparadas com as intervenções do analista. Teorias explícitas e implícitas buscam ser identificadas, tanto na relação analítica como no trabalho grupal. A validação das intervenções e hipóteses teóricas é efetuada no estudo da sequência do material. O analista apresentador participa das discussões somente em momento mais avançado da reunião. Desse modo, o método possibilita o “sonhar” e o livre pensar dos participantes.

São feitas avaliações orais, ao final da atividade, pelos coordenadores e participantes. Temos efetuado avaliações escritas que são preenchidas e enviadas por email, em torno de uma semana após a reunião. Trata-se de um “segundo olhar”, após um certo tempo de elaboração. Elas têm confirmado e ampliado as percepções iniciais.

Este WP foi fruto de trabalho docente no Instituto da SBPSP, iniciado em 2009. Tem sido apresentado e desenvolvido em Sociedades e Grupos de psicanalistas do Brasil e da América Latina e tem sido realizado nos congressos da Febrapsi e da Fepal.

Os dados obtidos com este método demandam estudos de ordem qualitativa. Os participantes são estimulados a participar do trabalho investigativo posterior.

Modelo dos três níveis (Three-Level Model ou 3-LM)
Moderador: Bruno Salésio

Trata-se de Grupo de Observação Clínica, organizado pelo Clinical Observation Committee (Comitê de Observação Clínica) da IPA, desde 2010.

Tem as seguintes características:

1. É um grupo de observação clínica que usa material clínico de um tempo não inferior a três anos de trabalho psicanalítico, necessário para discutir transformações.

2. Acontece, normalmente, em 12 horas de trabalho, distribuídas em três módulos de quatro horas, correspondendo a um dia e meio no total.

3. Cada módulo discute o material clínico sob: a) nível fenomenológico, onde se discute a descrição fenomenológica das transformações; b) nível de identificação das principais dimensões diagnósticas da mudança; c) teste das hipóteses explicativas das transformações.

4. Trabalha-se com um roteiro de muitos itens;

5. Elabora-se um relatório das discussões grupais;

6. É moderado por dois colegas.

7. Propõe-se um número mínimo de 8 participantes e máximo de 15, idealmente, podendo haver pequenas variações a combinar (já realizamos WP com vinte participantes).

8. Já foram realizados WP 3-LM em sociedades psicanalíticas do Brasil (SBPSP, SPPel, SPMS, SBPRJ, SBPRP, SBPdePA) e de outros países (Montevideo, Buenos Aires, Mendoza, Bogotá, Santiago de Chile, Lima, Praga, Madrid, Lisboa, Israel, Toronto, Montreal, Boston, Chicago, Austin, San Francisco e Nova York, entre outros).

9. Foi publicado o livro Time for Change. Tracking Transformations in Psychoanalysis -The Three-Level Model, pela Karnac Books, em inglês, em 2014, e pela Tiempo de Cambio, em espanhol, em 2015.

Sobre a especificidade do tratamento psicanalítico hoje
Coordenador: César Luís de Souza Brito (SPPA)

O grupo iniciou-se na América Latina em 2009, coordenado por Ruggero Levy (SPPA) e Clara Uriarte (APU). Integraram-se imediatamente Abel Fainstein (APA), Ana María Chabalgoity (APU), Elizabeth Chapuy (APC), Ema Ponce de León (APU) e, mais tarde, Zelig Libermann (SPPA), Agustina Fernández (APA), César Luís de Souza Brito (SPPA), Maria Luisa Silva Checa (SPP), Magda Khouri (SBPSP) e Cláudia Roqueta (APA).

O grupo latino-americano tem coordenado atividades em diversas cidades da América Latina e Congressos da Fepal e IPA. Atualmente é seminário integrante da formação psicanalítica da Associação Psicanalítica Argentina; tem sido atividade regular para candidatos da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre e atividade ocasional para candidatos e membros da Associação Psicanalítica do Uruguai e psicoterapeutas de orientação psicanalítica de outras Instituições.

O método centra-se no trabalho com o grupo participante, que reage consciente e inconscientemente ao que escuta e intui (Bion) diante dos aspectos da sessão analítica apresentada num trabalho próximo ao pensamento onírico. A produção progressivamente torna-se um tecido associativo em que "o material não é mais a narrativa feita pelo apresentador, mas sim a narrativa com seus efeitos sobre o grupo" (Bleger, 2009; Séchaud, Frish, Bleger, 2010).

Trata-se de uma sessão interanalítica em que os participantes gradativamente se permitem pensar diante dos demais e a trabalhar com suas próprias reações frente a escuta do material. Vai sendo construído um espaço de intimidade e confiança grupal, daí a importância de os participantes dedicarem tempo integral para essa atividade.

O trabalho interanalítico torna-se uma caixa de ressonância dos elementos contidos nas sessões apresentadas. Os participantes "operam um trabalho de transformações e deslocamento sobre o campo da transferência, procuram apreciar seu estado e o que ele veicula, descobrindo e redescobrindo a sucessão de réplicas, de desacordos e de restos que escapam ao dizer” (Séchaud, Frish, Bleger, 2010).

Este intercâmbio interanalítico constitui um novo campo de investigação psicanalítica. É também uma modalidade de transmissão e investigação em ato do método analítico.

Funcionamento

1. Abertura (moderadores) orientando a forma de trabalho.

2. O(a) apresentador(a) lê ao grupo o diálogo de uma sessão de análise conduzida por ele, sem fornecer dados sobre o paciente ou processo em andamento.

3. Abre-se o espaço para livres associações dos participantes estimulados pela leitura. O apresentador permanece em silêncio o restante do tempo.

4. Este processo repete-se pelas 3 ou 4 sessões.

5. Ao final da atividade, o apresentador terá a palavra à sua disposição para apresentar aspectos do caso clínico e comentários sobre o funcionamento e associações do grupo.

Observações

- A atividade é gravada para pesquisa posterior.

- Os participantes se comprometem a participar integralmente das duas sessões, para não perturbarem o andamento dos trabalhos.

- Os participantes responsabilizam-se por manter o sigilo absoluto sobre o conteúdo do material clínico.

Escuta da escuta
Coordenação: Cláudio Eizirik (SPPA) e Sérgio Lewkowicz (SPPA)
Dia 18/06 (3ª feira), das 9h às 12h e das 14h às 18h.
Local: Sala Maquiné

Método Clínico Comparado da América Latina - CCM
Coordenação: José Carlos Calich (SPPA); Elizabeth Lima da Rocha Barros (SBPSP)
Dia 18/06 (3ª feira), das 9h às 13h e das 14h30 às 18h30
Dia 19/6 (4ª feira), das 9h às 13h
Local: Sala Alterosa

Microscopia da Sessão Analítica
Coordenação: Roosevelt M.S. Cassorla (SBPSP, GEPCampinas)
Co-coordenadoras: Ana Clara Duarte Gavião (SBPSP) e Cláudia Carneiro (SPBsb)
Dia 18/06 (3ª feira), das 13h às 18h
Dia 19/06 (4ª feira), das 8h às 12h
Local: Sala Ibituruna
* É imprescindível a participação durante todo o tempo do processo

Modelo dos três níveis (Three-Level Model ou 3-LM)
Moderador: Bruno Salésio (SPPel)
Dia 18/06 (3ª feira), das 8h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h30
Dia 19/06 (4ª feira), das 8h30 às 12h30
Local: Sala Itacolomi

Sobre a especificidade do tratamento psicanalítico hoje
Coordenador: César Luís de Souza Brito (SPPA) e Magda Khouri (SBPSP)
Dia e hora: 18/06 (3ª feira) das 14h às 18h
Dia 19/06 (4ª feira), das 8h às 12h
Local: Sala Pico da Bandeira

realização

Febrapsi: Av. Nossa Sra. de Copacabana, 540/704 - Copacabana - RJ contato@febrapsi.org

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